É claro que o “susto” é normal para quem conhece Uiraúna e sabe o mínimo das nossas tradições. Somos, verdadeiramente, a terra de grandes músicos, o berço de grandes sacerdotes e a fonte donde nascem grandes médicos, advogados, políticos e engenheiros. Somos um chão rico, pois nós, uiraunenses, representamos uma gente forte, batalhadora, que faz jus a designação de sertanejos.
Evidentemente a atividade agropecuária não é mais a mesma como em décadas passadas, quando o algodão era a mola propulsora da economia e o grande atrativo de investimentos. Foi através da força algodoeira que a Caixa Econômica Federal, o Bradesco e o Paraiban pregaram suas bandeiras no município e fomentaram o setor de serviços. Através da ALGASA e da SAMBRA, a indústria deu seus primeiros passos. Infelizmente, a agricultura rudimentar não suportou a praga do bicudo e todo o sistema montado foi por água abaixo.
Depois do tempo áureo do algodão no município não houve outro ciclo agroeconômico que girasse as redes de produção tão efetivamente. A agricultura familiar passou a cumprir um papel importante no cultivo do feijão e do milho. Com a construção recente da Barragem da Capivara, a produção irrigada de coco na Fazenda Cabaços passou a ter grau de importância e garantiu uma série de empregos para a população.
Mesmo assim, o setor agrário, atualmente, não tem grande participação no PIB de Uiraúna. Enquanto o setor de serviços, que compreende o comércio, representa 83%, a indústria 13%, a agricultura abarca apenas 4% de todo produto interno bruto municipal segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. Ainda, segundo o mesmo instituto, através do censo agropecuário de 2006, o município tem 19.932 hectares destinados a atividades agropecuárias. Segundo o censo, são produzidas anualmente em Uiraúna, 245 toneladas de feijão, 1.293 toneladas de milho, 1.634 toneladas de cana-de-açúcar e apenas 111 toneladas de banana. Essa última, cultivada em apenas 24 propriedades não dá mais que R$ 94.000,00 de lucro durante todo um ano, enquanto isso o feijão é produzido por 623 propriedades e o milho por 660, juntos injetam na economia local uma fração aproximada de R$ 701.000,00.
Comprovadamente não somos a terra da banana como muitos querem dizer. O município de São João do Rio do Peixe produz 554 toneladas de banana, Pombal produz 1.636 ton. e Sousa, a verdadeira capital sertaneja da banana, colhe anualmente 4.929 mil quilos desse fruto.
Não precisa uma grande investigação para chegar a conclusão que o Festival da Banana é uma invenção populista, sem nenhum embasamento técnico e feito por quem não conhece o mínimo das questões relevantes da nossa cidade. Bastava os promotores do festival darem uma olhada na bandeira municipal para perceberem a existência de dois ramos: um de milho e outro de algodão. Esses produtos representam verdadeiramente a nossa terra. Fazem parte da tradição agrária do nosso povo.
Não precisa uma grande investigação para chegar a conclusão que o Festival da Banana é uma invenção populista, sem nenhum embasamento técnico e feito por quem não conhece o mínimo das questões relevantes da nossa cidade. Bastava os promotores do festival darem uma olhada na bandeira municipal para perceberem a existência de dois ramos: um de milho e outro de algodão. Esses produtos representam verdadeiramente a nossa terra. Fazem parte da tradição agrária do nosso povo.O pior de tudo está na própria programação do evento, que coincide com as tradicionais festas de emancipação. Não há, em todo o convite, qualquer atividade, seminário, palestra que incentive a produção e o cultivo de banana. Parece que as bananas só poderão ser vistas nos cartazes, pois a festa se restringe ao forró. Não que as bandas sejam ruins ou que a festa também seja, mas o dia da cidade não pode ser só festa. A política do “Pão e Circo” do Império Romano continua se repetindo, em Uiraúna ganha uma nova roupagem, tornando-se a política do “Bolo e da Banana”. O Bolo representa os famosos cafés da manhã promovidos pela Prefeitura que são enganosamente chamados de “Saúde em Ação”, o típico “programa” assistencialista, e a Banana é o pseudo-festival, um grande Circo montado para enganar o Ministério do Turismo.
Infelizmente, na atual administração, o assistencialismo venceu a cultura. A Revista Uiraúna, grande marco da nossa história, foi jogada no lixo, assim como toda a nossa cultura. O periódico era a marca maior da nossa terra, elogiada pelas matérias, pela qualidade da impressão, pelos grandes colunistas e pelo papel social cumprido na revitalização das nossas memórias.
Enfim, é triste como nossa terra tem sido tratada e como as políticas que privilegiam a enganação estão se sobressaindo em relação a história e a cultura local. O humorista estadunidense O. Henry criou a expressão “República das Bananas” para representar um país latino-americano ditatorial e instável, talvez essa alegoria de Henry seja a meta de uma certa mulher que queira também transformar a Terra dos Músicos e dos Sacerdotes em uma República das Bananas.
Infelizmente, na atual administração, o assistencialismo venceu a cultura. A Revista Uiraúna, grande marco da nossa história, foi jogada no lixo, assim como toda a nossa cultura. O periódico era a marca maior da nossa terra, elogiada pelas matérias, pela qualidade da impressão, pelos grandes colunistas e pelo papel social cumprido na revitalização das nossas memórias.
Enfim, é triste como nossa terra tem sido tratada e como as políticas que privilegiam a enganação estão se sobressaindo em relação a história e a cultura local. O humorista estadunidense O. Henry criou a expressão “República das Bananas” para representar um país latino-americano ditatorial e instável, talvez essa alegoria de Henry seja a meta de uma certa mulher que queira também transformar a Terra dos Músicos e dos Sacerdotes em uma República das Bananas.
Tancredo Fernandes
João Pessoa, 29 de novembro de 2010
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