Não há coisa melhor, quando se está no sertão, do que ouvir as galhas das árvores balançando anunciando a chegada de uma neblina ou o cheiro típico que chega no anteceder da chuva, no próprio e vulgar preparo carregado de trovões e relâmpagos.Começando o salpicar da água são outras percepções. Vê-la descendo pela calha e a meninada tomando aquele banho de chuva, que antes também tomávamos, é de fazer brilhar os olhos de qualquer sertanejo.
Não há coisa melhor, quando se está no sertão, do que sentar à noite numa cadeira de balanço na calçada ou no próprio alpendre para ouvir o prosear das famílias, conversar sobre os acontecimentos do dia, rir de situações e momentos, saborear um doce de leite ou um sorvete, uma seriguela, um din-din... Esperar pelo Aracati, frente fria que refresca as noites nordestinas, até às 9 da noite, hora que bate o sono nos mais velhos.
Não há coisa melhor, quando se está no sertão, do que escutar o palavriado típico daqui. Nunca ouvi, em outros cantos, uma mãe ordenando o filho colocar a tramela na janela, alguém pedindo uma taiada de bolo, um avô mandando o neto acabar com o funaré, um irmão azunhar o outro, um albino sendo chamado de gazo, um açougueiro de machante, um gasguito de quixaba...
Sentir o nordeste nas palavras é mais forte do que vê-lo por imagens. Perceber e recordar são experiências mais ricas e nobres que encontrar uma botija no quintal.
Tancredo Fernandes
Uiraúna, 22 de fevereiro de 2010
Oi Tancredo, sou Uiraunense também, que mora em Fortaleza. Gostaria de saber se você tem informações sobre a Quixaba, principalmente sobre Hermínio Vieira das Chagas, meu bisavô. Obrigado.
ResponderExcluirTancredo, aqui é o Florencio Queiroz, meu email é florencioq at gmail.com
ResponderExcluirObrigado.